Indústria da Borracha: extrusão de uma tradição americana

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Ao nos debruçarmos sobre os produtos em nosso cotidiano ficamos fascinados pela tecnologia empregada em sua manufatura: tais objetos se mostram moldados de maneira tão precisa e simétrica que nos faz pensar que foram feitos por mãos divinas e não pelo brilhantismo do maquinismo humano. Porém esse maquinismo é ele mesmo é um componente moderno adicionado a algo que já estava presente no cotidiano e que foi aperfeiçoado pelo profissionalismo transformado em padrão industrial de alto nível. A borracha é um desses produtos que exemplifica a triunfal união entre um modo tradicional e a prática habilidade tecnológica.

Alienígena mundo americano

Essa substância já era de domínio dos nativos americanos desde antes da chegada dos europeus ao continente. Relatos como os do padre Anghieria (1525), que afirma ter visto indígenas mexicanos jogarem com bolas compostas de material elástico comprovam tal afirmação. Um dos primeiros a fazer um estudo científico sobre a borracha foi Charles Marie de La Condamine, do qual ele tomou conhecimento quando de sua viagem ao Peru (1735).

Esse inquieto francês é o típico cientista do século XIX, misto de cientista e explorador, bem ao gosto dos maravilhosos romances vitorianos.  La Condamine empreendeu várias viagens de exploração em locais como o Norte de África, Médio Oriente e na América do Sul.

Em façanha própria dos famosos exploradores da imaginação, o explorador-cientista foi o primeiro de sua profissão a descer o curso do rio Amazonas. Seguindo a tradição de seu mundo o cientista-explorador em seu retorna a Europa publicou uma grande quantidade de descrições da geografia, da fauna e flora da bacia amazónica que em muito colaboraram para despertar a atenção da comunidade científica. Como também da tradição de sua época era um poliglota em várias línguas europeias, como também um estudante fervoroso de matemática, astronomia, geodesia e, é claro, da física.

Cientistas, exploradores e parceiros

Mas como é sabido, havia outros europeus em viagens de iluminação, conquista e exploração pelas terras do novo mundo.  Um deles François Fresnau, Engenheiro do Rei, esteve na Guiana entre 1732 e 1748. Em 1734 foi destacado pelo rei para cuidar da fortificação da cidade, sendo que o centro de arquivos francês tem uma extensa correspondência dele entre 1732 e 1749. Em 1744 conhece Charles Marie de La Condamine que está interessado em seu trabalho. Explorando Oiapoque a fim de levantar o mapa do rio, ele descobriu em 1747 a “Hevea brasiliensis a Approuague”, a seringueira. Envia a seu correspondente, La Condamine, manuscrito sobre as propriedades e o uso feito de borracha por nativos americanos, e, alguns meses mais tarde quando de seu retorno à França, fez a comunicação a Academia de Ciências.

Uma parte fundamental do todo

Esse fascinante trecho da história da borracha demonstra como esse produto passou pelas mãos de exploradores e cientistas, ou melhor, de cientistas-exploradores que passaram a entender que sua ciência poderia ser coligada às técnicas que os indígenas já estavam utilizando secularmente.

Assim a continuação dessa história com o maquinário industrial é só mais uma etapa, mas dificilmente a última, dessa ciência centenária. Dentro desse precioso círculo a Itaquá Resistências vem a participar com eficientes resistências extrusoras
 e resistência de cartuchos de alta carga, que propiciam mais um degrau dessa tecnologia.  Pode parecer uma contribuição humilde no todo desse grande material, mas é bom lembrar que aqueles indígenas americanos as margens do rio com suas bolas começaram essa ciência.


Publicado em: 14/02/2017

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